Laser Safety


Segurança em Laser

João Paulo Junqueira Magalhães Afonso e Meire Brasil Parada Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil

Resumo

Este capítulo descreve os aspectos de segurança relacionados ao uso de lasers, desde a classificação de riscos até as medidas preventivas. São discutidos os principais riscos, como os riscos oculares, cutâneos, dentários, por pluma, de incêndio e elétricos, além de serem abordadas as medidas preventivas, que vão desde os equipamentos de proteção até os aspectos comportamentais.

Palavras-chave  LaserSegurançaRiscosRiscoPrevençãoRisco ocularRisco cutâneoRisco dentárioRisco por plumaRisco de incêndioRisco elétricoDispositivos de uso doméstico

Introdução

A Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) é uma organização global que elabora e publica normas internacionais para todas as tecnologias elétricas, eletrônicas e correlatas. O documento 60825-1 da IEC é a principal norma que estabelece as diretrizes de segurança para produtos a laser (Smalley 2011).

A IEC publicou documentos que representam referências internacionais em segurança de lasers. São eles o 60601, o 60825 e o 60825-Parte 8. Os órgãos reguladores nacionais costumam aliar essas recomendações internacionais à legislação local para elaborar orientações e/ou regulamentações nacionais de segurança em laser.

Classificação

A classificação é baseada em cálculos e definida pelo Limite de Emissão Acessível (AEL, na sigla em inglês), levando também em consideração as condições de visualização, conforme descrito a seguir:

Classe 1

Os lasers da Classe 1 são produtos de risco muito baixo, considerados “seguros em condições de uso razoavelmente previsíveis”, inclusive quando se utilizam instrumentos ópticos (lupas oculares ou binóculos) para visualização direta do feixe. Existe risco de ofuscamento, encandeamento e redução da visão cromática causados por imagens residuais:

  • Exemplos: impressoras a laser e aparelhos de CD.

Classe 1 M

Os lasers da Classe 1 M têm comprimento de onda entre 302,5 nm e 400 nm e são seguros, exceto quando utilizados com auxílios ópticos (como microscópios, lupas, binóculos):

  • São seguros em condições de operação razoavelmente previsíveis (a olho nu), mas podem ser perigosos se o usuário utilizar elementos ópticos alinhados ao feixe.
  • Exemplos: sistemas de comunicação por fibra óptica.

Classe 2

Os lasers da Classe 2 têm comprimentos de onda na faixa do visível (400–700 nm) e são seguros se visualizados por menos de 0,25 s (seguros para exposições momentâneas, mas perigosos se alguém olhar deliberadamente para o feixe). Eles não permitem exposição humana a níveis acima do AEL da Classe 2 para comprimentos de onda entre 400 nm e 700 nm. Qualquer emissão fora dessa faixa de comprimento de onda deve estar abaixo do AEL da Classe 1:

  • Emitêm feixes de laser visíveis.
  • Não são inerentemente seguros para os olhos, mas a proteção proporcionada por respostas naturais de aversão, como o reflexo de piscar, costuma ser suficiente.
  • Exemplos: armas de laser de brinquedo, ponteiros laser e leitores de código de barras.

Classe 2 M

Os lasers da Classe 2 M têm comprimentos de onda entre 400 nm e 700 nm e são potencialmente perigosos quando visualizados por meio de um instrumento óptico. Qualquer emissão fora dessa faixa de comprimento de onda deve estar abaixo do AEL da Classe 1 M:

  • Emitêm feixes de laser visíveis.
  • A proteção ocular normalmente é garantida por respostas de aversão, inclusive o reflexo de piscar, mas podem ser mais perigosos se o usuário utilizar elementos ópticos alinhados ao feixe.
  • Exemplos: instrumentos de nível e orientação para aplicações em engenharia civil.

Classe 3R

Os lasers da Classe 3R são marginalmente inseguros para visualização direta do feixe e potencialmente perigosos, mas o risco é menor do que o dos lasers da Classe 3B, pois o limite de emissão acessível é de até cinco vezes o AEL da Classe 2 para comprimentos de onda entre 400 nm e 700 nm, e de até cinco vezes o AEL da Classe 1 para comprimentos de onda fora dessa faixa:

  • A visualização direta do feixe é potencialmente perigosa, mas o risco é menor do que nos lasers da Classe 3B.
  • Exigem menos requisitos de fabricação e medidas de controle por parte do usuário do que os lasers da Classe 3B.
  • Exemplos: ponteiros laser e lasers de alinhamento.

Classe 3B

Os lasers da Classe 3B normalmente são perigosos em condições de visualização direta do feixe, mas costumam ser seguros quando se visualizam reflexos difusos. Podem causar lesões cutâneas leves ou até mesmo apresentar risco de ignição de materiais inflamáveis:

  • Potência de saída em onda contínua não superior a 0,5 W.
  • Exemplos: lasers utilizados em tratamentos de fisioterapia.

Classe 4

Os lasers da Classe 4 são perigosos tanto em condições de visualização direta do feixe quanto de reflexos difusos. Também podem causar lesões cutâneas e representam risco potencial de incêndio:

  • Dispositivos de alta potência de saída.
  • Potência de saída em onda contínua superior a 0,5 W.
  • Capazes de gerar reflexos perigosos.
  • Podem causar lesões oculares e cutâneas.
  • Podem representar risco de incêndio.
  • Exigem cautela extrema durante o uso.
  • Exemplos: telas de projeção a laser, equipamentos para cirurgia a laser e equipamentos de corte de metal a laser.

A maioria dos lasers utilizados na medicina pertence à Classe 3 ou 4, o que significa que os riscos são maiores em todas as aplicações.

Rotinas bem estabelecidas que levem esses riscos em consideração podem evitar erros como os descritos a seguir.

Medidas Preventivas

As medidas preventivas são sempre a escolha padrão-ouro em segurança de laser. As medidas de controle podem ser de natureza de engenharia, administrativa, procedimental e de equipamentos de proteção.

Essas medidas são listadas e descritas a seguir:

  1. Medidas de engenharia — são medidas de segurança do fabricante incorporadas aos sistemas para evitar emissão acidental de radiação laser. Alguns exemplos são o pedal de acionamento protegido, trava por chave, intertravamentos de carcaça, indicadores sonoros e visuais de emissão, bloqueadores de feixe, tampas ou obturadores de abertura, modo de espera, interruptores acionados por pé ou mão, além de interruptores e sensores de contato.
  2. Medidas administrativas — monitoramento contínuo do programa de segurança pelo médico responsável, cumprimento das medidas de segurança de laser e designação de um responsável ou comitê de segurança de laser; auditorias formais; políticas escritas (listas de verificação de configuração segura, fichas de registro de procedimentos), procedimentos e ferramentas de documentação; programas obrigatórios de educação e treinamento; e um mecanismo de notificação de complicações.
  3. Medidas procedimentais — atividades perioperatórias ou práticas de trabalho adotadas por toda a equipe que utiliza o laser para evitar complicações. Incluem controle de acesso à sala de laser; preparo de um sítio cirúrgico seguro para laser (antissépticos e soluções de preparo não inflamáveis, materiais não refletores, campos cirúrgicos ignífugos, evitar fontes de oxigênio próximas à aplicação do laser, preparo intestinal no caso de aplicações de laser em região perineal e perianal); controle de riscos elétricos; eliminação de fumaça do sítio cirúrgico durante o procedimento; montagem, verificação e teste do sistema de laser e equipamentos acessórios antes do uso (testar o disparo do feixe de laser em uma espátula lingual antes do primeiro uso do dia); e assistência ao médico e ao paciente antes, durante e após a aplicação do laser.
  4. Equipamentos de proteção — barreiras para janelas, cobertura de espelhos, placas na porta de acesso à sala, rótulos, óculos de proteção (Figs. 1, 2 e 3), proteção dentária (Fig. 3), extintores de incêndio, campos cirúrgicos não inflamáveis, instrumentos anodizados, proteção cutânea, máscaras e sistemas de exaustão de fumaça com filtros (Smalley 2011; Smalley e Goldman 1998).
Óculos de proteção a laser para proteção ocular durante procedimentos com laser
Fig. 1 Proteção ocular
Protetores oculares intraoculares colocados sob as pálpebras para proteger o olho durante o tratamento a laser
Fig. 2 Proteção intraocular (protetor ocular)
Proteção dentária: uma placa protetora odontológica utilizada quando o laser é aplicado próximo à boca
Fig. 3 Proteção dentária

Área de Riscos

É altamente recomendável que placas visíveis sinalizem a área onde existem riscos de laser. Em alguns países, essa é uma obrigação legal. Essas placas alertam a equipe e os pacientes sobre a área onde são necessárias medidas de segurança de laser, como controle de acesso e uso de óculos de proteção. Também é recomendável que em cada acesso a essa área, os óculos de proteção estejam sempre disponíveis durante a operação do laser, para caso seja necessário entrar na área em situação de emergência.

As portas devem permanecer sempre fechadas, mas nunca trancadas, durante o uso do laser.

Riscos do Feixe: Relacionados ao Impacto Direto ou Refletido do Feixe de Laser nos Tecidos

Riscos Oculares

O olho humano tem como único sistema de defesa o “reflexo de piscar”. Esse reflexo leva um quarto de segundo para ser efetivo. Como os lasers operam em escalas de mili, nano e picossegundos, não é possível que o reflexo de piscar proteja contra eles. Além disso, alguns lasers não operam em comprimentos de onda de luz visível brilhante, como os infravermelhos, que não acionam esse reflexo.

Mesmo com as pálpebras fechadas, alguns lasers podem causar danos aos olhos, o que nos faz enfatizar ainda mais a importância da proteção ocular.

O cristalino do olho é capaz de focar a luz em um ponto muito pequeno da retina, o que torna a luz coerente dos lasers ainda mais perigosa (Dudelzak e Goldberg 2011). Como se sabe, até mesmo um ponteiro laser com potência superior a 5 mW pode causar lesão ocular permanente. Dessa forma, muitos equipamentos de laser profissionais e dispositivos de uso doméstico são capazes de causar danos oculares.

Algumas variáveis do laser estão relacionadas à intensidade da lesão ocular. São elas:

  1. Comprimento de onda. Os lasers que operam em comprimentos de onda ultravioleta (200–400 nm), infravermelho médio (1400–3000 nm) e infravermelho distante (3000–10.600 nm) são absorvidos pelo segmento anterior do olho, causando danos ao cristalino e à córnea.

    Os lasers de luz visível (400–760 nm) e de infravermelho próximo (760–1400 nm) são absorvidos no segmento posterior do olho, pela retina e pela coroide vascular.

    Comprimentos de onda acima de 700 nm e abaixo de 400 nm podem causar danos fotoquímicos à córnea e catarata no cristalino, enquanto comprimentos de onda acima de 1400 nm podem causar queimaduras na córnea.

    Também são possíveis pontos cegos e glaucoma causados por danos aos vasos retinianos e à íris pigmentada.

    Os cromóforos do olho são os mesmos utilizados rotineiramente em dermatologia, como a água, a melanina e a hemoglobina.

    Lasers como o de CO2 (10.600 nm), Nd:YAG (1320 e 1064 nm), alexandrita (755 nm), Diodo (810 nm), Er:YAG (2940 nm) e os com chaveamento Q (alexandrita, rubi e Nd:YAG) podem causar danos a múltiplas estruturas do olho por meio de mecanismos de dano fotoquímico, fototérmico e fotoacústico.

  2. Duração do pulso. A duração do pulso de quase todos os lasers utilizados em dermatologia é menor do que o tempo de acionamento do reflexo de piscar (0,25 s), o que faz com que quase todas as durações de pulso representem risco. Quanto menor a duração do pulso, mais rápida é a liberação da energia definida nos parâmetros.
  3. Energia/fluência. Quanto maior a energia definida nos parâmetros, maior o risco de dano ocular.
  4. Diâmetro do feixe. O diâmetro do feixe pode influenciar o resultado em maior ou menor grau, de acordo com o comprimento de onda e a posição de incidência no olho.

O dano também é modificado por variáveis do próprio olho. São elas:

  1. A localização do dano no olho (lesões na fóvea são as mais graves).
  2. A cor da íris (íris de pessoas de pele escura são as que apresentam lesões mais graves).
  3. O estado de dilatação da pupila (lesões ocorridas à noite ou em ambientes escuros podem ser mais perigosas do que as ocorridas em luz diurna).
  4. O estado de refração do olho no momento da lesão (se o foco estiver antes ou depois da retina, o dano pode ser menos ou mais intenso) (Barkana e Belkin 2000).

Após o olho ser lesionado por um laser, a lesão primária pode evoluir para lesões oculares secundárias causadas por ondas de choque, calor e liberação de diversos agentes nocivos pelos neurônios diretamente lesionados (Lee et al. 2011).

Se o dano ocorrer, as opções de tratamento são poucas. Os corticosteroides são a principal escolha, mas há relatos de casos que utilizaram vitaminas antioxidantes e fármacos vasodilatadores. Existem fármacos em desenvolvimento destinados a bloquear a lesão secundária; eles são chamados de compostos neuroprotetores. Alguns relatos também sugerem o uso de fatores de crescimento (Lin et al. 2011; Jewsbury e Morgan 2012).

Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para o tratamento.

Por todos esses motivos, a proteção ocular é um dos tópicos mais importantes no treinamento, uso e segurança de lasers.

A proteção ocular deve ser prevista para o paciente, para o médico e para a equipe de apoio. Os óculos são o principal componente da proteção ocular, e os óculos para proteção contra os comprimentos de onda do laser são projetados especificamente para essa finalidade.

Os óculos para pacientes podem ser feitos de aço inoxidável resistente ao calor, com superfície côncava lisa e polida e superfície convexa anodizada sem qualquer transparência (para uso externo ou tópico). Os óculos da equipe geralmente são feitos de outros materiais, como vidro revestido ou material polimérico com transparência seletiva. A transparência é escolhida de acordo com o laser que será utilizado, pois as lentes podem bloquear um comprimento de onda central ou uma faixa de comprimentos de onda. Outra característica desses óculos é a densidade óptica (OD), que corresponde ao logaritmo da atenuação da luz transmitida através da lente. Dessa forma, uma lente com OD 4 permite a passagem de 1/104 da energia do laser. Esses óculos também podem ter proteções laterais e não apresentar reflexo na superfície frontal.

Todos os óculos devem ter rótulos permanentes indicando os comprimentos de onda e a densidade óptica, proteções laterais, transmissão de luz visível adequada e encaixe adequado e confortável.

Quando os óculos apresentarem rachaduras, arranhões, descoloração ou qualquer outro dano na lente, armação ou tiras, devem ser substituídos.

Métodos de limpeza abrasivos e soluções de limpeza à base de álcool podem degradar o revestimento óptico das lentes e reduzir a densidade óptica, podendo causar lesões oculares.

Como a lesão ocular pode ser causada por luz laser refletida, e não apenas por emissão direta, todas as joias devem ser removidas, vidros de janelas e espelhos devem ser cobertos, e todos os instrumentos devem ser anodizados, rugosos ou ebonizados com revestimento fluoropolimérico. A reflexão não está relacionada à cor do instrumento, pois o preto pode ser tão refletor quanto a prata.

A clorexidina não deve ser utilizada para desinfetar óculos que entram em contato com os olhos, pois essa substância pode causar ceratite e opacificação da córnea.

De acordo com as normas nacionais, placas de advertência podem ser colocadas do lado de fora das salas de operação com laser para alertar visitantes sobre os riscos.

Algumas tecnologias para transformar os lasers em equipamentos seguros para os olhos já foram sugeridas, como difusores de espalhamento frontal de grande angular eficientes que alterariam a natureza coerente dos lasers e das luzes intensas pulsadas (IPLs) para luz não coerente. Isso é teoricamente justificado porque o efeito biológico dos lasers e IPLs ocorre após a luz dessas fontes ser espalhada na pele antes de atuar no seu alvo final (os cromóforos). A natureza coerente dessas fontes de luz, portanto, não é essencial para a eficiência do tratamento. No entanto, essa tecnologia não é aplicável a todos os tipos de lasers e ainda precisa ser mais desenvolvida (Slatkine e Elman 2003).

É importante lembrar que a proteção dos óculos também é necessária para proteger os olhos de respingos de material biológico que podem ocorrer após o impacto do laser nos tecidos.

Riscos Cutâneos

Os riscos cutâneos estão relacionados à seleção inadequada de pacientes, energia, duração de pulso ou qualquer outro parâmetro controlável do laser, ou ao disparo inadvertido do equipamento.

Para evitar os riscos cutâneos, programas contínuos de educação e treinamento são essenciais, pois o uso incorreto de uma única variável do laser pode causar grandes danos à pele.

Entender os princípios físicos, a interação laser-tecido, os parâmetros e variáveis do laser, conhecer as características do equipamento específico que será utilizado no tratamento e da pele do paciente, além de adaptar essas variáveis a cada caso, são as melhores formas de evitar danos acidentais à pele.

O resfriamento também é uma boa forma de evitar danos a laser em alguns casos.

A despigmentação da pele antes da terapia a laser com hidroquinona tópica, iniciada 4 semanas antes do procedimento, é um método que pode reduzir alguns riscos.

O dano cutâneo pode resultar em lesões temporárias ou permanentes, como eritema, edema, formação de crostas, bolhas, cicatrizes, atrofia ou hiper- ou hipopigmentação (Dudelzak e Goldberg 2011).

A Tabela 1 mostra quais danos cada tipo de radiação pode causar na pele e nos olhos.

Tabela 1 Alterações teciduais causadas por diferentes radiações. Adaptado de Mattos (2012).
Faixa de comprimento de onda Espectro Olhos Pele
200–280 nm UVC Fotoqueratite (inflamação da córnea, equivalente à queimadura solar) Eritema, queimaduras e câncer de pele
280–315 nm UVB Fotoqueratite (inflamação da córnea, equivalente à queimadura solar) Bronzeamento, queimaduras e câncer de pele
315–400 nm UVA Catarata fotoquímica (opacificação do cristalino do olho) Fotoenvelhecimento, bronzeamento e câncer de pele
400–780 nm Visível Dano fotoquímico à retina, queimadura retiniana Queimaduras, reações de fotossensibilidade e aumento da pigmentação
780–1400 nm Infravermelho A Catarata, queimadura retiniana Queimaduras
1400–3000 nm Infravermelho B Flare aquoso (presença de proteína no humor aquoso), catarata, queimadura corneal Queimaduras
3000–10.000 nm Infravermelho C Queimadura corneal Queimaduras

Riscos Dentários

O esmalte dentário é vulnerável à luz ultravioleta e infravermelha. Ao utilizar um laser próximo à boca, o paciente deve ser orientado a manter a boca fechada, e pode-se utilizar alguma proteção, como gaze umedecida e uma placa protetora odontológica (Fader e Ratner 2000).

Os possíveis danos aos dentes incluem carbonização, rachaduras, descamação e formação de cavidades.

Riscos Não Relacionados ao Feixe: Riscos Secundários Não Associados Diretamente ao Feixe

Risco de Incêndio

Os materiais combustíveis listados abaixo apresentam risco de ignição quando expostos a determinados lasers:

  • Gaze
  • Toalhas
  • Campos cirúrgicos
  • Esponjas secas
  • Plásticos
  • Borracha
  • Removedores de fita adesiva
  • Desengordurantes de pele e soluções de preparo cutâneo
  • Dispositivos de espuma
  • Dispositivos respiratórios (máscaras faciais, cânulas nasais)
  • Gás metano (região perianal)
  • Maquiagem, spray de cabelo, mousses ou géis à base de álcool, esmalte de unha
  • Pomadas oculares à base de óleo
  • Produtos que contêm álcool
  • Soluções com iodóforos
  • Áreas com pelos

Alguns desses materiais de risco podem ser umedecidos com solução salina antes do procedimento para reduzir o risco de ignição. Outros materiais podem ser mantidos fora da sala de laser.

Ao utilizar o laser de CO2 em tecidos, é importante observar que geralmente se forma uma camada de tecido carbonizado durante a aplicação. Essa camada bloqueia a penetração do laser e se aquece continuamente. Se não for removida, essa camada de carbono pode atingir temperaturas acima de 1000 °C, possibilitando ignição de incêndio, queimaduras e danos teciduais extensos (Fader e Ratner 2000).

Pelos e algodão podem ser inflamados por lasers em atmosfera enriquecida com oxigênio ou quando não estão umedecidos com solução salina.

Um extintor de incêndio para equipamentos elétricos comuns e um recipiente com água devem estar disponíveis para qualquer emergência ao se trabalhar com riscos de incêndio.

A atmosfera enriquecida com O2 é a causa mais comum de incêndio no uso de lasers (Sheinbein e Loeb 2010). A ignição pode ocorrer até mesmo fora do campo de tratamento do laser (incêndio remoto), conforme relatado na literatura (Waldorf et al. 1996) (Fig. 4).

Medidas de segurança e equipamentos de proteção utilizados para evitar incêndios cirúrgicos durante procedimentos a laser
Fig. 4 Medidas de segurança para evitar incêndios cirúrgicos

Risco Elétrico

Os equipamentos a laser são instrumentos de alta tensão e alta corrente, e existe grande risco de incêndio nos circuitos e eletrocussão. Apenas pessoal treinado pode operar esses equipamentos.

A instalação e o aterramento corretos são muito importantes para prevenir riscos elétricos.

A integridade dos conectores, cabos de conexão, cabos de energia, fusíveis, disjuntores e plugues pode ser verificada antes do uso (Dudelzak e Goldberg 2011).

Risco por Pluma

A pluma e a fumaça são frequentemente produzidas durante o uso do laser, e a capacidade mutagênica e carcinogênica desses subprodutos já é reconhecida.

A transmissão de doenças por meio da pluma e da fumaça também já foi descrita e deve ser motivo de atenção para os profissionais de saúde e equipe de apoio (Sawchuk et al. 1989).

Já foram encontrados glóbulos vermelhos, aglomerados celulares, bactérias, DNA do HIV e do HPV na pluma de laser. Está comprovado que partículas de carbono, benzeno, formaldeído, acroleína e mais de 41 gases tóxicos são liberados pelo tecido após a ruptura térmica das células pelo laser (Andre et al. 1990; Ulmer 2008).

Já foram relatados na literatura casos de um cirurgião a laser com infecção nas narinas anteriores e outro com papilomatose laríngea após tratar papilomatose anogenital (Hallmo e Naess 1991).

O carbono e os compostos tóxicos presentes na pluma, como formaldeído e benzeno, podem causar (Ulmer 2008):

  • Asma
  • Anemia
  • Ansiedade
  • Bronquiolite
  • Carcinoma
  • Disfunção cardiovascular
  • Cólica
  • Pneumonia intersticial congestiva
  • Dermatite
  • Tontura
  • Enfisema
  • Irritação ocular
  • Dor de cabeça
  • Hepatite
  • HIV
  • Hipóxia
  • Lacrimejamento
  • Leucemia
  • Sensação de desmaio
  • Lesões nasofaríngeas
  • Náusea ou vômito
  • Espirros
  • Irritação na garganta
  • Fraqueza

As máscaras cirúrgicas comuns não são capazes de filtrar as partículas muito pequenas produzidas durante a aplicação do laser. As máscaras para laser são feitas de fibras sintéticas carregadas eletrostaticamente e devem ser substituídas periodicamente, pois a fumaça elimina sua polaridade após um período de uso. No entanto, as máscaras não são consideradas equipamentos de proteção de primeira linha, pois sua chance de falha após 20 minutos de uso é alta. O encaixe e a técnica de uso também interferem na eficiência da máscara.

A aspiração e eliminação da fumaça são extremamente necessárias no local e na sala de aplicação do laser e constituem o equipamento de proteção de primeira linha (Bigony 2007). O equipamento deve utilizar um sistema de triplo filtro. O filtro de ar de partículas de alta eficiência (HEPA), que remove partículas maiores que 0,3 μm, não é suficiente; é necessário um filtro de ar de partículas de eficiência ultrabaixa (ULPA), capaz de remover partículas de até 0,1 μm de tamanho, juntamente com um filtro de carvão ativado para remover substâncias químicas tóxicas da fumaça.

Alguns aspectos a serem avaliados antes de escolher um aspirador de fumaça são:

  • Custo e despesas operacionais
  • Efetividade
  • Projeto do filtro e do recipiente
  • Monitoramento do filtro
  • Capacidade de remoção de fluidos
  • Acionamento por pedal versus acionamento automático
  • Geração de ruído
  • Uso único versus reutilizável
  • Tamanho

A distância recomendada entre o local tratado pelo laser e a ponta do aspirador é de 1 cm, e a efetividade cai de 99% para 50% quando essa distância passa de 1 para 2 cm.

Após o uso do laser, a atmosfera da sala pode levar 20 minutos para retornar a uma concentração normal de partículas.

Os lasers com chaveamento Q apresentam um desafio particular, pois geram fragmentos de tecido e partículas em alta velocidade que podem escapar da captura pelo sistema de exaustão de fumaça. Algumas medidas de segurança específicas são recomendadas nessas situações, como protetores contra respingos ou cones de coleta, tratamento através de uma membrana transparente, proteção ocular adequada, luvas, aventais e máscaras cirúrgicas para laser.

Alguns cirurgiões a laser cobrem as lesões com curativos biológicos opticamente transparentes e realizam os disparos através deles, aceitando uma perda de 5 a 10% da energia em troca de uma barreira protetora segura e prática.

A aplicação recente de lasers no tratamento de infecções fúngicas como a onicomicose aumentou o alerta para a possibilidade de fungos viáveis na fumaça (Karsai e Däschlein 2012).

Ainda mais intrigante é a sugestão de alguns autores de que a pluma pode disseminar células malignas viáveis, como células de melanoma, para outros locais (Lewin et al. 2011).

A Academia Americana de Dermatologia recomenda o uso de máscaras faciais, protetores oculares, luvas, aventais, gorros e propés (Dover et al. 1999).

Após a cirurgia, é importante lembrar que a fumaça pode ter contaminado tanto as superfícies corporais cobertas quanto as descobertas. Portanto, é recomendável lavar as mãos e outras partes do corpo.

“De todos os riscos de segurança, a complacência é de longe o mais perigoso. Os acidentes acontecem quando adotamos a postura: ‘Eu uso lasers há anos; nunca tivemos nenhum problema e não vai acontecer aqui.’” — Smalley e Goldman (1998)

Essa postura faz com que o cirurgião e a equipe relaxem nas medidas preventivas, abrindo caminho para erros e acidentes.

Segurança de Dispositivos de Luz Intensa Pulsada (IPL) e Laser de Uso Doméstico

Os dispositivos de depilação de uso doméstico utilizam o mesmo princípio da fototermólise seletiva que os equipamentos profissionais. No entanto, existem algumas diferenças importantes entre os dispositivos de uso doméstico e os profissionais:

  • Baixa energia
  • Poucas configurações de energia
  • Duração de pulso fixa
  • Filtro único fixo
  • Áreas de tratamento pequenas
  • Resfriamento cutâneo paralelo impossível
  • Atendem a menos tons de pele

Essas diferenças devem alertar os fabricantes e os profissionais de saúde a não transportar diretamente a experiência clínica e o conhecimento de estudos publicados sobre equipamentos profissionais para os dispositivos de uso doméstico (Town et al. 2012).

No entanto, é razoável esperar efeitos colaterais semelhantes, mas com incidências diferentes entre os dois tipos de equipamento.

Os efeitos adversos mais comuns relatados em alguns dispositivos estudados foram eritema, edema, dor, alterações pigmentares, abrasão cutânea, foliculite, irritação da pele, prurido, ardência, formigamento, pele seca e bolhas.

Embora esses efeitos adversos não fossem muito frequentes, os estudos selecionaram os participantes com critérios de inclusão e exclusão para reduzir os riscos. A partir do momento em que os dispositivos se tornam disponíveis para a população em geral, sem controle de “critérios de inclusão e exclusão”, espera-se que a incidência de efeitos adversos seja maior no uso diário da vida real.

Dispositivos de Uso Doméstico: Características Desejáveis

  • Seguros para os olhos
  • Fáceis de usar sem treinamento
  • Clinicamente efetivos (causam dano biológico folicular sem causar danos à epiderme ou aos olhos)
  • Custo-benefício vantajoso na produção em massa

Os fabricantes desenvolveram diferentes tecnologias para atingir essas características, como interruptores ou sensores de contato, modo de espera automático e pré-configurações de baixa energia, e em alguns países eles buscam reclassificar esses dispositivos na categoria de laser Classe 1, que não exigiria o uso de óculos de segurança. Essa reclassificação está em avaliação e ainda não foi aprovada (Thaysen-Petersen et al. 2012).

Muitos dos dispositivos não informam a fluência, duração de pulso, comprimento de onda e homogeneidade ou saída espectral (no caso dos IPLs) alegados, o que dificulta a avaliação de segurança.

Alguns dispositivos de uso doméstico estudados apresentaram riscos de dano cutâneo e ocular independentemente dos mecanismos de segurança adotados pelos fabricantes. Além disso, os pacientes podem classificar incorretamente seu tom de pele e aplicar os dispositivos em pele bronzeada, e os mecanismos de segurança podem falhar. Todas essas variáveis devem ser consideradas ao classificar a segurança dos dispositivos de uso doméstico (Town e Ash 2010).

As normas regulatórias não estão bem definidas em muitos países, e algumas medidas importantes relacionadas à educação do usuário devem ser adotadas:

  • Materiais de educação completos (como manuais do usuário)
  • Suporte de atendimento ao consumidor (como suporte por linha telefônica de ajuda)
  • Instruções de uso detalhadas
  • DVDs
  • Consultores de venda treinados nas lojas
  • Uso de dispositivos de uso doméstico orientado por médico
  • Tutoriais na internet

Como os dispositivos de uso doméstico serão utilizados como eletrodomésticos, as medidas de segurança incluem aquelas relacionadas à segurança elétrica, montagem, manutenção, descarte, rotulagem e categorização de risco ao consumidor (como o risco para crianças).

Outras questões devem ser consideradas quando os dispositivos de uso doméstico são utilizados por usuários não profissionais:

  • Tratamento de áreas com nevos melanocíticos.
  • Tratamento de áreas com tatuagens.
  • Tratamento de pessoas com síndrome dos ovários policísticos ou hiperandrogenismo ovariano.
  • Tratamento de mulheres grávidas.
  • Tratamento de pele bronzeada.
  • Tratamento de pele ainda em processo de cicatrização.
  • Tratamento de pessoas que utilizam fotossensibilizadores ou fármacos fototóxicos (especialmente com dispositivos IPL).
  • Tratamento do rosto e das sobrancelhas.
  • O tratamento com energia abaixo da ideal pode induzir crescimento paradoxal de pelos nos dispositivos de uso doméstico, que normalmente operam com energias mais baixas do que os equipamentos profissionais.

Mensagens Principais

  1. Os lasers utilizados na medicina geralmente podem ser dispositivos de alto risco.
  2. As medidas preventivas serão efetivas se toda a equipe envolvida seguir rotinas de segurança que levem os riscos em consideração.
  3. O risco de exposição direta ao feixe mais perigoso é o risco ocular, que pode levar à cegueira total.
  4. Os riscos não relacionados ao feixe são diversos, e o mais relatado frequentemente é o associado à pluma.
  5. Os dispositivos de uso doméstico não estão livres de riscos, e os consumidores devem ser conscientizados sobre esses perigos.

Referências Cruzadas

  • Laser de CO2 para Outras Indicações
  • Laser de CO2 para Cicatrizes
  • Laser de CO2 para Estrias
  • Laser de CO2 para Fotorejuvenescimento
  • Laser de Érbio para Fotorejuvenescimento
  • Laser de Érbio para Cicatrizes e Estrias Distensas
  • Lasers Fracionados Ablativos e Não Ablativos para Peles Étnicas
  • Luz Intensa Pulsada para Fotorejuvenescimento
  • Luz Intensa Pulsada para Rosácea e Outras Indicações
  • Lasers para Rejuvenescimento Vaginal Estético e Funcional
  • Laser no Crescimento Capilar
  • Laser para Depilação
  • Lipólise a Laser
  • Laser para Onicomicose
  • Tratamento a Laser de Lesões Vasculares
  • Diodo Emissor de Luz para Acne, Cicatrizes e Pele Fotodanificada
  • Minha Experiência Pessoal com Laser
  • Lasers Fracionados Não Ablativos para Cicatrizes
  • Lasers Não Ablativos para Fotorejuvenescimento
  • Lasers Não Ablativos para Estrias
  • Terapia Fotodinâmica para Acne
  • Terapia Fotodinâmica para Pele Fotodanificada
  • Lasers com Chaveamento Q para Melasma, Olheiras e Fotorejuvenescimento
  • Liberação Transepidérmica de Fármacos com Métodos Ablativos (Lasers e Radiofrequência)

Referências

Andre P, Orth G, Evenou P, Guillaume JC, Avril MF. Risk of papillomavirus infection in carbon dioxide laser treatment of genital lesions. J Am Acad Dermatol. 1990;22(1):131–2.

Barkana Y, Belkin M. Laser eye injuries. Surv Ophthalmol. 2000;44(6):459–78.

Bigony L. Risks associated with exposure to surgical smoke plume: a review of the literature. AORN J. 2007;86(6):1013–20; quiz 1021–4.

Dover JS, Arndt KA, Dinehart SM, Fitzpatrick RE, Gonzalez E. Guidelines of care for laser surgery. American Academy of Dermatology, Guidelines/Outcomes Committee. J Am Acad Dermatol. 1999 Sep;41(3 Pt 1):484–95.

Dudelzak J, Goldberg DJ. Laser safety. Curr Probl Dermatol. 2011;42:35–9.

Fader DJ, Ratner D. Principles of CO2/erbium laser safety. Dermatol Surg. 2000;26(3):235–9.

Hallmo P, Naess O. Laryngeal papillomatosis with human papillomavirus DNA contracted by a laser surgeon. Eur Arch Otorhinolaryngol. 1991;248(7):425–7.

Jewsbury H, Morgan F. Uveitis and iris photoablation secondary to intense pulsed light therapy. Can J Ophthalmol. 2012;47(4):e13–4.

Karsai S, Däschlein G. “Smoking guns”: hazards generated by laser and electrocautery smoke. J Dtsch Dermatol Ges. 2012;10(9):633–6.

Lee WW, Murdock J, Albini TA, O’Brien TP, Levine ML. Ocular damage secondary to intense pulse light therapy to the face. Ophthal Plast Reconstr Surg. 2011;27(4):263–5.

Lewin JM, Brauer JA, Ostad A. Surgical smoke and the dermatologist. J Am Acad Dermatol. 2011;65(3):636–41.

Lin CC, Tseng PC, Chen CC, Woung LC, Liou SW. Iritis and pupillary distortion after periorbital cosmetic alexandrite laser. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2011;249(5):783–5.

Mattos R. Conceitos de Biossegurança: Laser/Dermatologia. In: Kadunc B, Palermo E, Addor F, Metsavaht L, Rabello L, Mattos R, Martins S, editors. Tratado de cirurgia dermatológica, cosmiatria e laser: da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 1st ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. p. 895–9.

Sawchuk WS, Weber PJ, Lowy DR, Dzubow LM. Infectious papillomavirus in the vapor of warts treated with carbon dioxide laser or electrocoagulation: detection and protection. J Am Acad Dermatol. 1989;21(1):41–9.

Sheinbein DS, Loeb RG. Laser surgery and fire hazards in ear, nose, and throat surgeries. Anesthesiol Clin. 2010;28(3):485–96.

Slatkine M, Elman M. Conversion of aesthetic lasers and intense pulsed light sources into inherently eye-safe units. J Cosmet Laser Ther. 2003;5(3–4):175–81.

Smalley PJ. Laser safety: risks, hazards, and control measures. Laser Ther. 2011;20(2):95–106.

Smalley PJ, Goldman MP. Laser safety: regulations, standards and practice guidelines. In: Goldman MP, Fitzpatrick RE, editors. Cutaneous laser surgery: the art and science of selective photothermolysis. 2nd ed. St. Louis: Mosby Inc; 1998. p. 459–72.

Thaysen-Petersen D, Bjerring P, Dierickx C, Nash JF, Town G, Haedersdal M. A systematic review of light-based home-use devices for hair removal and considerations on human safety. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2012;26(5):545–53.

Town G, Ash C. Are home-use intense pulsed light (IPL) devices safe? Lasers Med Sci. 2010;25(6):773–80.

Town G, Ash C, Dierickx C, Fritz K, Bjerring P, Haedersdal M. Guidelines on the safety of light-based home-use hair removal devices from the European Society for Laser Dermatology. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2012;26(7):799–811.

Ulmer BC. The hazards of surgical smoke. AORN J. 2008;87(4):721–34; quiz 735–8.

Waldorf HA, Kauvar NB, Geronemus RG, Leffel DJ. Remote fire with the pulsed dye laser: risk and prevention. J Am Acad Dermatol. 1996;34(3):503–6.

This site uses cookies

We use cookies to collect information about how you use this site. We use this information to make the website work as well as possible and improve our services.